
Falar no Ribatejo faz-nos logo lembrar da sua fantástica gastronomia, pois o Ribatejo não é só toiros e forcados, é muito mais do que isso!
Fala-se de peixes de rio, ou pelo menos dos que desovam nos rios, e cuja época se estende de Março a Abril para alguns - é o caso da lampreia, e um pouco mais adiante para outros, como o sável. Mas há uma espécie que é muito apreciada durante todo o ano, e que ombreia bem com os colegas sazonais: a enguia. E, sem dúvida, um dos rios onde mais se pesca e consome é o Tejo, sendo na sua bacia ribatejana que atinge o auge da fama e da qualidade de confecção, de Alcochete até Abrantes, passando por Vila Franca de Xira, Salvaterra de Magos, Benfica do Ribatejo, Almeirim, Santarém, Chamusca, Golegã e por aí acima.
É cada vez mais importante a correcta divulgação das belezas naturais, de monumentos e locais de interesse histórico, e a gastronomia é uma boa desculpa para um passeio agradável à descoberta do interior. Não deixamos Salvaterra de Magos sem visitar o restaurante “Zé do Moinho”, uma casa muito simples, ali à beira da estrada, um pouco incaracterístico, sem grandes confortos, igual a tantos outros, mas que nos proporciona uma boa cozinha, e onde, a par de alguns pratos de carne algo estranhos, se pode sempre comer peixe fresco que recebem diariamente de Setúbal e, claro, as famosas enguias do Tejo, cozinhadas a preceito.
Entradas normais e pão de razoável qualidade. Além da sopa do dia, por vezes pode haver sopa de peixe, que é muito boa. Nos peixes, podemos apreciar chocos e lulas grelhados, salmão grelhado, garoupa cozida ou grelhada, douradas grelhadas ou assadas no forno, linguados grelhados ou fritos e corvina grelhada, cozida ou à marinheiro. E, depois, as enguias que podem ser feitas de várias maneiras: fritas com arroz de feijão, grelhadas, de caldeirada ou de ensopado, entre outras. E são todas muito boas.
Nas carnes, aparecem bife do vazio, de lombo de vitela e febras de porco grelhados na brasa; medalhões de vitela, escalopes de vitela e bifes de lombo de porco, todos com cogumelos; ainda um naco na pedra; e os mais estranhos medalhões de vitela com cebola e bifinhos de lombo de porco com camarão, mas com matéria-prima de inegável qualidade. Ao domingo, a curiosidade de um óptimo borrego assado no forno com batatinhas assadas. Se não estiver para aí virado, volte às enguias, que são deliciosas. E prove um branco ou um tinto ribatejano, que os há de muito boa qualidade. Continuando pelo vale ribatejano, facilmente se divisam os vastos vinhedos, aqui e ali, por entre outras culturas da região. Hoje já se produzem aqui vinhos com bastante qualidade, não sendo uma região demarcada, e que vale bem a pena explorar. A pequena Adega Cooperativa de Benfica do Ribatejo, onde se vai buscar o vinho em garrafão, com tintos encorpados, carrascões, bons para os pratos mais pesados à base de carnes de porco. Mais adiante, a Adega Cooperativa de Almeirim, com vinhos já clássicos, e um ou dois produtores particulares, brilhando aqui os brancos a grande nível. Logo ali ao lado, na pequena povoação de Alpiarça, podemos encontrar tintos muito bons, de cor escura e que escorregam muito bem. Finalmente, uma curiosidade, um óptimo vinho branco, de cor amarela carregada, aroma suave e paladar intenso, frutado, uma maravilha, o vinho de Alcanhões. Com produção limitada, é preciso procurar bem para o podermos apreciar, mas justifica o sacrifício.
Aqui na planície ribatejana, a carne de porco é quase tão consumida como a carne de novilho, e mesmo a carne de cavalo tem alguma procura. São dois dos animais característicos destas paragens, os touros e os cavalos, sendo ambos intervenientes numa das tradições mais arreigadas destas gentes: as touradas. Os touros são criados em grande quantidade e deles se obtém carne de grande qualidade. Um bom costeletão de novilho passado pelas brasas, só com um pouco de sal grosso, acompanhado de uma boa salada mista, com muito tomate, pode ser um prato inesquecível.
Nenhum comentário:
Postar um comentário